Italianos devem abrir mão do prosecco e do panettone neste Natal
SÃO PAULO – Em vez de prosecco e panettone, o Natal dos italianos terá vinho da casa e gastos contidos, enquanto o país enfrenta sua pior temporada de festas em 60 anos.
“Os consumidores simplesmente não estão com fé no amanhã”, disse o secretário-geral da associação de defesa do consumidor italiano, a Adiconsum, Pietro Giordano. As vendas do Natal podem recuar até 15% em comparação com as do ano passado, no que seria o maior declínio desde a Segunda Guerra Mundial, disse Giordano em entrevista por telefone.
Muitos italianos, segundo ele, devem destinar seu 13º salário, a chamada “tredicesima”, para o pagamento de contas em vez da compra de muitos presentes. A Deloitte prevê que o gasto médio dos italianos com presentes, comida especial e entretenimento poderá diminuir em 2,3%, para 625 euros. O corte é quase o triplo da diminuição de 0,8% prevista para os europeus de um modo geral.
“Eu vou comprar presentes apenas para as crianças este ano”, disse Manuela De Luca, advogada autônoma de 33 anos, que passava pela loja da Benetton, perto da catedral de Milão. “Estou preocupada com o futuro e com o que vai ocorrer no ano que vem.”
O pessimismo é compartilhado pelos comerciantes. “As vendas sempre cresceram nos últimos 15, 16, 17 anos, mas isso mudou, e os clientes simplesmente não aparecem”, disse Tiziana De Pascalis, dona de uma mercearia.
O Carrefour, que está vendendo garrafas de Verdicchio, um vinho branco, por 1,49 euro, disse em 13 de outubro que suas vendas na Itália caíram 6,2% nos primeiros nove meses deste ano. “Os preços estão perto de zero”, anuncia a varejista francesa.
(Bloomberg News)
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