A China está fortalecendo um sistema de compensação para facilitar aos bancos a transferência de yuans para dentro e fora do país, em mais uma medida voltada a promover o uso mundial da moeda chinesa.
O Banco Popular da China, o banco central do país, começou a atualizar o Sistema Nacional Avançado de Compensação de Pagamentos da China, para facilitar o comércio internacional em yuan, segundo autoridades e executivos dos bancos chineses. O processamento de pagamentos em yuan no sistema atual não é tão eficiente quanto o realizado entre fronteiras em outras moedas, como o dólar, com um sistema manual que geralmente eleva substancialmente o custo da transação, dizem especialistas.
“O custo de processar pagamentos em yuan precisa baixar, para permitir que quando as empresas comecem a transferir volumes significativos de yuans os bancos possam administrá-los de maneira correta e eficiente”, disse Patrick de Courcy, diretor do mercado da Ásia e Oceania da Swift, que opera uma rede mundial de comunicação financeira entre bancos e outras instituições do setor.
De Courcy disse que o Banco Popular da China aceitou usar o padrão de comunicação adotado pela Swift para realizar os pagamentos eletrônicos em seu sistema.
Uma autoridade do BC chinês confirmou que o banco está atualizando seu sistema de pagamentos em yuans. O BC não quis dar mais detalhes.
A mudança ocorre ao mesmo tempo em que Pequim acelera seus esforços para aumentar a importância do yuan no comércio internacional, embora também esteja desacelerando a valorização da moeda devido ao enfraquecimento de suas exportações. O yuan subiu 4,6% em relação ao dólar ano passado e já se valorizou 8,5% desde junho de 2010, quando a China abandonou o atrelamento à moeda americana, que já durava dois anos, e prometeu tornar seu câmbio mais flexível.
Muitos analistas preveem que o yuan vai se valorizar a um ritmo mais lento — de cerca de 3% ao ano — em 2012, enquanto a China equilibra a necessidade de impulsionar suas exportações com a pressão americana para deixar sua moeda se valorizar e suavizar assim as desigualdades no comércio mundial. Os problemas econômicos na Europa e nos Estados Unidos também minaram a confiança do mercado no dólar e no euro, o que cria para a China uma oportunidade de acelerar sua iniciativa de globalizar o yuan.
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