Investimento em participações na América Latina está na crista da onda.
A mensagem não passou despercebida para os alunos de MBA que participaram, no sábado passado, da 18ª conferência anual de capital de risco e private equity da Escola de Administração da Universidade Harvard.
Não encontrando nenhum assento disponível, 25 alunos se aglomeraram no fundo da sala durante o painel da conferência sobre private equity na América Latina, um tópico que, há apenas alguns anos, talvez nem painel teve, por falta de interessados.
Tanto o levantamento de capital para private equity quanto os investimentos em participações na América Latina cresceram bastante nos últimos anos.
Cate Ambrose, presidente e diretora-executiva da Latin America Private Equity & Venture Capital Association e mediadora do painel, estima que o volume de capital levantado atingiu US$ 10 bilhões em 2011, acima dos US$ 8 bilhões de 2010, embora a sua organização ainda esteja dando os últimos retoques nos dados do ano todo de 2011, a serem divulgados no mês que vem.
Esse crescimento gerou uma corrida por profissionais de talento na região.
“O problema é que às vezes [os profissionais] vêm de bancos ou consultoria”, disse Antonio Moya-Angeler, sócio da Advent International, cujo mais recente fundo de private equity levantou US$ 1,65 bilhão em 2010. “Você não acha pessoas com muitos anos de experiência em private equity.”
Como resultado, as firmas de investimento em participações, especialmente aquelas chegando à região, estão apelando para o roubo de profissionais.
Karyn Koiffman, uma sócia do escritório de advocacia Kirkland & Ellis LLP, deu o exemplo de uma firma internacional que procurou por uma parceira entre várias firmas diferentes de private equity na região, mas não obteve sucesso.
“Então eles levaram a equipe inteira de um banco”, disse Koiffman.
As firmas 3i Group, General Atlantic, H.I.G. Capital e Pantheon são algumas que, só nos últimos 12 meses, tomaram talentos das suas concorrentes ou de outras organizações financeiras.
Enquanto isso, a Intel Capital, o braço de investimento da Intel Corp., dobrou a sua equipe no Brasil e emplacou cinco novos investimentos no país, informou no começo do ano a VentureWire, da Dow Jones, que também publica o The Wall Street Journal.
“É um grande momento para as pessoas querendo uma carreira na indústria [de private equity]”, disse Ambrose, da LAVCA, embora ela tenha alertado os estudantes que falar a língua local também é importante, principalmente num país como o Brasil.
“Não conte com conseguir uma vaga falando somente [espanhol]”, disse ela. “Se você não falar [português], os brasileiros ficarão ofendidos.”
Fonte: online.wsj.com
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