A indústria fornecedora de bens e serviços para o setor de petróleo e gás deve receber crédito de R$ 750 milhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) este ano, informou o chefe do Departamento da Cadeia Produtiva de Petróleo e Gás do banco, Ricardo Cunha.
Os recursos serão liberados no âmbito de nova linha criada para o setor, o Programa de Apoio ao Desenvolvimento da Cadeia de Fornecedores de Bens e Serviços relacionados ao setor de Petróleo e Gás Natural (BNDES P&G), lançada no quarto trimestre do ano passado.
Até o momento, 19 empresas pediram financiamento junto ao banco para empreendimentos, cujos investimentos totais, somados, atingem R$ 2,6 bilhões. Deste total, R$ 1,5 bilhão seria o total de pedidos de empréstimos dessas empresas ao BNDES.
Três operações já foram aprovadas. Um dos empréstimos já aprovados foi o destinado para a Prysmian, de origem italiana, pertencente ao grupo de mesmo nome, indiretamente controlado pelo grupo Goldman Sachs, que vai receber R$ 117 milhões para ampliação de unidade no Espírito Santo, de tubos flexíveis para atividade offshore.
Outros R$ 12,8 milhões irão para Ruhrpumpen, empresa de origem mexicana e alemã, fabricante de bombas hidráulicas, para nova fábrica na Baixada Fluminense (RJ). Mais R$ 143 milhões foram aprovados para a brasileira Georadar, que presta serviços onshore e offshore de levantamentos geofísicos, diagnósticos ambientais e geotécnicos para a indústria petrolífera e mineral. A empresa usará o financiamento do banco para ampliar serviços de pesquisa de dados sísmicos.
Até 2015, a previsão do banco é que sejam desembolsados R$ 4 bilhões dentro dessa linha, com o fortalecimento da indústria de petróleo e gás no Brasil, impulsionada pelas boas perspectivas de exploração e produção no setor.
Para Cunha, os recursos podem se esgotar antes de 2015. Isso porque, atualmente, a linha conta com operações nas modalidades direta e indireta (por meio de agente repassador) não automática. A intenção do banco é adicionar a modalidade indireta automática, onde o financiamento é aprovado em cinco dias úteis, prazo inferior aos dos outros dois.
“Não haveria dificuldade nenhuma para o banco aportar mais recursos no programa”, ressaltou Cunha. “O setor de petróleo e gás é estratégico”, acrescentou, lembrando que a área tem contribuído positivamente para o desenvolvimento da economia do país nos últimos anos.
Isso estimulou o banco a estudar, em parceria com a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), criação de nova linha voltada para apoiar empreendimentos em inovação na cadeia de fornecedores de petróleo e gás. A Petrobras também participaria do debate para a nova linha, e o BNDES deve definir a dotação orçamentária.
Até o momento, a ideia é que o novo programa seja semelhante ao Programa de Apoio ao Setor Sucroalcooleiro (PASS), que financiou estocagem de etanol. Segundo Cunha, o banco entende a necessidade de estimular empresas brasileiras a desenvolver tecnologias mais sofisticadas, principalmente na exploração em águas profundas.
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