Bolsa espera por mais 20 IPOs até o final do ano

O presidente da BM&F Bovespa reduziu pela metade a previsão de aberturas de capital, diante da volatilidade nos mercados. Ele também comentou a possibilidade de concorrentes.

A crise econômica que persiste na Europa tem reflexos no mercado de capitais brasileiro, que terá uma quantia de companhias iniciando seu processo de abertura de capital bem abaixo do que era previsto no início deste ano.

Ao menos essa é a previsão de Edemir Pinto, presidente da BM&FBovespa. “Se conseguirmos atingir até o final do ano 50% do que era nossa expectativa será um ótimo resultado”, admitiu o executivo, durante teleconferência com a imprensa realizada na manhã desta quarta-feira (8/8) para comentar os resultados do segundo trimestre de 2012.

A projeção inicial da Bolsa era pela abertura de capital de entre 40 e 45 companhias no ano, que movimentariam em torno de R$ 55 bilhões.

“Já estamos em agosto, e até essa expectativa de 50% começa a ficar um pouco mais difícil, mas acreditamos no potencial do mercado brasileiro, e à medida que se abra uma luz vamos perceber uma reação”, pontuou.

Em relação ao fechamento de capital de empresas com ações negociadas na Bolsa, como nos casos mais recentes da Laep e da LLX, Edemir tentou transparecer uma postura de naturalidade com o movimento, mas admitiu que o prolongamento da crise na Europa prejudica o segmento.

“O fechamento de capital é parte natural do mercado. Nos últimos cinco anos, a NYSE deixou de listar quase três mil companhias, é um mundo que faz parte do mercado de capitais”, afirmou o executivo.

“A incerteza em relação a Europa tem atrapalhado a abertura de algumas empresas, mas sabemos do potencial que existe no Brasil”, reforçou o presidente da Bolsa brasileira.

Além dos pontos já citados acima, outro reflexo da crise na Europa no Brasil pode ser um impacto sentido nos volumes negociados nos segmentos BM&F e Bovespa.

“Sabemos que o ambiente de maiores incertezas, sobretudo em função da expectativa pelo desdobramento da crise na Europa, pode sim afetar os volumes no curto prazo. Já aconteceu no passado e pode acontecer novamente”, afirmou Eduardo Guardia, diretor financeiro e de relações com investidores da BM&FBovespa.

“O investidor estrangeiro tem um peso muito grande no volume da Bolsa.”

Concorrência

Quanto à possibilidade de uma nova Bolsa no mercado brasileiro, o presidente da BM&FBovespa levantou a questão sobre qual será o impacto de uma fragmentação do atual modelo para os investidores.

“Em janeiro de 2011 apresentamos uma proposta para criar um sistema alternativo para negociação de grandes lotes, que seria uma fragmentação do mercado, e o regulador deixou claro que essa não era uma prioridade”, argumentou Edemir.

Em relação aos preços praticados pela Bolsa, a BM&FBovespa contratou a consultoria McAfee para elaborar um estudo sobre a possibilidade de novos patamares de preços.

“Começamos a trabalhar uma nova estrutura de preços, para permitir que os ganhos de escala possam ser compartilhados com os participantes de mercado”, pontuou o diretor financeiro da empresa.

“Olhando para os processos que ocorreram no mundo, na medida em que tem escala maior, tem que fazer esse movimento de compartilhar o ganho de escala com o mercado”.

No entanto, Guardia ressaltou que os investidores não devem esperar por anúncios que tragam impacto significativo em sua tabela de preços.

“É um processo longo e complexo que tem de ser feito com muito cuidado. Não vamos fazer nenhum grande anúncio da noite para o dia”, comentou o executivo.

Sobre o estudo da Oxera encomendado pela CVM para analisar a possibilidade da entrada de novos players no mercado brasileiro, Edemir disse que sua companhia ficou “desapontada” com o tratamento que a consultoria deu a Bolsa brasileira.

O relatório da companhia sinalizou que um aumento da concorrência no Brasil poderia promover uma redução de preços, com maior eficiência para o mercado de capitais.

“Eles cometeram um erro muito grande, pelo fato de não considerar o custo total para o investidor”, reclamou o executivo.

De acordo com Edemir, no mercado americano, que é quase 80 vezes maior do que o brasileiro, o investidor institucional de longo prazo paga uma taxa de dois a quatro centavos por ação, mesmo preço pago no mercado brasileiro.

“O relatório não explica porque o investidor americano paga a mesma coisa que o brasileiro”, questiona. Ele ressalta que os serviços oferecidos pela bolsa às corretoras, por exemplo, rebaixa esse custo total.

“Entendemos que nossa estrutura de preço já está alinhada com as práticas internacionais, mas sabemos que com o crescimento do mercado existe a possibilidade de dividirmos parte dos ganhos de escala com os participantes. É razoável supor que o preço médio pago pelo investidor brasileiro tende a cair com o tempo”, falou o presidente da companhia.

Novos produtos

Em relação ao desenvolvimento de novos produtos, a companhia destacou o “Brasil Easy Investing (BEI)”, que tem como alvo os investidores de varejo estrangeiros.

A nova ferramenta dará a possibilidade aos agentes de operar ações negociadas na BM&FBovespa por uma tela na qual o preço do papel estará cotado na moeda do país em que o investidor estiver operando.

A previsão é que essa nova ferramenta seja lançada durante o ano que vem, passado o período de testes do novo produto.

“Esse é um produto muito estratégico para nosso processo de internacionalização”, destacou Edemir.

Em busca de facilitar o acesso dos estrangeiros ao mercado de capitais brasileiro, o presidente da BM&FBovespa ressaltou que a companhia está trabalhando junto à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) na tentativa de simplificar o cadastro desses agentes.

Voltando o olhar para o mercado interno, um dos focos da BM&FBovespa será em torno do incremento no segmento da renda fixa privada, ainda pouco explorado.

“Vemos um potencial muito grande para o crescimento desse tipo de mercado, sobretudo para o secundário de debêntures”, disse Guardia. “Isso vai crescer muito, e a companhia quer se preparar para poder participar desse crescimento”.

Política de dividendos

A BM&FBovespa também contratou uma consultoria para avaliar uma possível alteração na atual política de pagamento de dividendos, que hoje prevê 80% do lucro societário aos acionistas.

“Com a redução dos juros, os dividendos passarão a ter um posicionamento estratégico no mercado. Cada vez investidores vão procurar empresas com políticas agressivas de dividendos, e a Bolsa tem o papel de indutor nesse processo para outras companhias”, afirmou Edemir.

fonte: Brasil Econômico


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