O governo estuda uma série de novas linhas de financiamento à inovação, voltadas para setores mais carentes em investimento em pesquisa e desenvolvimento. O formato dos novos programas pode ser similar ao do Inova Petro, linha elaborada por meio de parceria entre Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e Petrobras, para a cadeia de petróleo e gás, detalhou ontem o presidente do banco, Luciano Coutinho. Em palestra no Rio durante seminário sobre inovação, o executivo chegou a citar alguns setores que poderiam ser contemplados, como saúde, aeroespacial, tecnologia da informação e telecomunicações.
Atualmente, o BNDES trabalha na elaboração do modelo dessas futuras linhas, em parceria com a Finep, Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) e Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. “Estamos trabalhando, a pedido do Ministério da Ciência e Tecnologia e da Casa Civil, em uma agenda para organizar isso de maneira mais estruturada”, disse Coutinho, sem citar prazos de lançamento das linhas.
O executivo preferiu não citar outros setores que poderiam ser favorecidos com a iniciativa. Apenas afirmou que seriam escolhidas “as áreas mais óbvias”, ou seja, setores que teriam mais dificuldade em investir em pesquisa e em desenvolvimento no país.
Para a consultoria paulistana Pieracciani, especializada em gestão de inovação, já existem bons instrumentos de financiamento para inovação. Mas o direcionamento do crédito poderia ser mais voltado para o setor de serviços, e não concentrado no setor industrial, como ocorre hoje, avaliou o sócio-fundador da consultoria, Valter Pieracciani. “A indústria sempre é lembrada primeiro.”
Mas a oferta de financiamentos não é a única estratégia que poderia ser usada para o desenvolvimento da inovação no país, na análise do presidente do BNDES. Ao levantar hipóteses de outras ações que poderiam estimular projetos de pesquisa e de desenvolvimento no Brasil, Coutinho admitiu que medidas de desoneração tributária poderiam ajudar no objetivo. Também defendeu parcerias entre iniciativas privada, pública e universidades, bem como melhora na infraestrutura de laboratórios brasileiros.
O fraco investimento em inovação é um dos elementos que podem inibir a competitividade do país, mas não é o único. O câmbio apreciado, que permite a entrada de importados com mais facilidade, também preocupa.
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