A gestora de recursos Gávea Investimentos finalizou a captação de R$ 1 bilhão em um fundo de recebíveis que pretende se tornar uma fonte alternativa para o financiamento de empresas. De acordo com pessoas que acompanharam a operação, o fundo terá características semelhantes a um private equity. Mas em vez de investir nas companhias a partir da compra de participação acionária, como fazem tradicionalmente esses fundos, o investimento será feito com a compra de títulos de dívida.
A iniciativa veio da percepção da gestora de que existe uma grande quantidade de empresas de menor porte no Brasil que não tem acesso ao mercado de capitais e paga caro para obter financiamentos. O crédito concedido pelo fundo deverá ser em condições melhores do que as alternativas atuais disponíveis para essas empresas.
A tese de investimento vai na linha da chamada desintermediação financeira, ou seja, a obtenção de crédito fora dos bancos comerciais tradicionais. Por enquanto, as iniciativas nessa linha ainda são vistas com certa cautela. A captação do chamado Fundo de investimento em direitos creditórios (FIDC) Gávea Crédito Estruturado ficou abaixo do que o inicialmente pretendido pela gestora, que esperava levantar R$ 1,25 bilhão.
O primeiro grande fundo do tipo, levantado pelo Credit Suisse e pelo Santander, levou mais tempo que o esperado para aplicar os recursos captados, no total de R$ 1,4 bilhão. O Itaú BBA, que em julho de 2011 anunciou um FIDC com características semelhantes, havia levantado apenas R$ 215 milhões até agosto passado, dos R$ 500 milhões pretendidos. A Vinci Partners, que também entrou na área no segundo semestre de 2011 com um fundo de R$ 1,2 bilhão para projetos de infraestrutura, havia aplicado R$ 350 milhões até dezembro.
Pelo regulamento, o fundo da gestora criada pelo ex-presidente do Banco Central Arminio Fraga terá três meses para investir pelo menos 50% do patrimônio, prorrogáveis por mais três meses. Os créditos devem variar de R$ 50 milhões a R$ 80 milhões. As empresas serão escolhidas em um processo de análise que envolverá os negócios e os setores em que estão inseridos. Mas algumas das companhias em vista já fazem parte dos relacionamentos mantidos pela Gávea com diversos empresários nos últimos anos.
Os financiamentos terão prazo de três a cinco anos, e a empresa terá de se comprometer a melhorar a estrutura de capital. Também ficará obrigada a aprimorar as suas práticas de governança. A Gávea poderá tanto fazer um acompanhamento constante das práticas adotadas pelas companhias investidas quanto deslocar alguns de seus funcionários para o dia a dia das empresas, dependendo da situação e do relacionamento com cada uma delas.
A opção de, de certa forma, associar-se às companhias via dívida vem também da percepção de que, no estágio em que se encontram, as empresas que deverão ser alvo do fundo têm um tamanho que a entrada de um sócio estratégico em seu capital representaria uma forte diluição para seus atuais controladores. Além disso, o nível atual de endividamento também comprometeria a tese de investimento.
A proposta da Gávea é mais um veículo possível na discussão intensificada no fim do ano passado para a viabilização do acesso de companhias de menor porte ao mercado. A intenção da gestora é atuar em um estágio anterior da empresa para que ela possa ter melhor estrutura de capital e governança que faça com que tenha melhores condições de atrair um private equity ou mesmo ir à bolsa.
O fundo possui três classes de cotas, cuja expectativa de rentabilidade aumenta conforme o risco e varia de 2,25% a 4,50% ao ano, mais a variação da taxa do depósito interfinanceiro (DI). Para atender a demanda de fundos de pensão, o FIDC possui uma série com remuneração atrelada à inflação medida pelo IPCA mais 6,75% ao ano.
fonte valor on line
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