A CSN está sinalizando alta de preços para seus clientes, mas sem data e valor, informou uma fonte do setor. Gerentes de compra de atacadistas de aço estão recebendo um pré-aviso da empresa de que um reajuste para seus produtos está para sair em março, apurou o Valor. A data mais provável para o aumento seria por volta do dia 10 de março.
Até o momento, a companhia não soltou nenhum aviso, ao contrário do que fez a Usiminas, ao comunicar reajustes entre 6,10% e 12,71% para os laminados a quente, a frio e para os zincados.
Os reajustes nos aços planos começam a preocupar consumidores de aço no país. É o caso dos os empresários do segmento de ferramentas. O Sindicato da Indústria de Artefatos de Ferro, Metais e Ferramentas em Geral do Estado de São Paulo (Sinafer) calcula que o insumo responda por cerca de 40% dos seus custos de produção. Com o aumento da Usiminas, o impacto no custo de fabricação de ferramentas seria de até 5%, informou.
O presidente do Sinafer, Milton Rezende, disse já vem sendo discutido com os fornecedores e os fabricantes de ferramentas, tentando retardar a alta. “Nossas margens já estão supercomprimidas e nós não temos como repassar para os nossos preços por causa da concorrência com os importados”, afirmou. Além disso, lembrou, a alta vem junto com os dissídios da mão de obra, que variaram de 8% a 10%.
“Nossa preocupação é muito grande”, disse Rezende. Segundo ele, os associados estão se reunindo com as usinas para discutir possíveis alternativas ao aumento. O Sinafer representa fabricantes de componentes em aço para a indústria de máquinas-ferramenta e fabricantes de ferramentas manuais e industriais.
Já a indústria de implementos rodoviários disse que vai repassar os reajustes do aço desde o início do ano. Em meio à recuperação nas vendas de caminhões – que usam esses equipamentos para o transporte de carga -, o setor vê espaço para recompor margens de rentabilidade perdidas em 2012 e retomar preços de 2011. “Vamos fazer os repasses à medida que houver os aumentos”, disse Marcos Noma, presidente da Noma, uma das quatro maiores fabricantes de carretas do país.
Ele conta que outras matérias-primas tiveram aumento de preço, mas os reajustes no aço se tornaram mais constantes neste ano e são relevantes porque atingem também vários componentes utilizados para fabricar implementos rodoviários. Por isso, a Noma já praticou alta de 3% a 4% nos preços de carretas em janeiro.
Alcides Braga, presidente da Anfir, entidade que abriga os fabricantes desse segmento, informa que os preços dos siderúrgicos usados na produção das carretas subiram de 5% a 6% desde o início do ano – sem contar o novo reajuste de 6,1% a 12,7% anunciado pela Usiminas para março.
Em relatório, o ItaúBBA disse que é cedo para dizer se o aumento vai vingar. Mas se isso acontecer, poderá aliviar os estoques dessas companhias no curto prazo. Os analistas Marcos Assumpção e André Pinheiro avaliam que o principal motivo da alta de preços dos aços planos em março é melhorar os resultados pressionados das siderúrgicas.
“Acreditamos que a principal motivação da Usiminas é recuperar as margens muito apertadas no negócio de aço”. A empresa teve margem Ebitda de apenas 1% em seu balanço do quarto trimestre.
fonte: valor on line
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