Eike Batista coloca Hotel Glória à venda após conseguir financiamento de R$ 190 milhões no Pro Copa BNDES

O Grupo EBX, do empresário Eike Batista, colocou à venda o Hotel Glória, no Rio de Janeiro. O tradicional hotel carioca foi adquirido em 2008 pela EBX por R$ 80 milhões. Em 2010, o grupo iniciou reformas no empreendimento, o rebatizou de Glória Palace e o integrou à REX, empresa do segmento imobiliário da EBX.

Oficialmente, desde o início do ano, o grupo procurava um parceiro para operar o Glória. Como até o momento não fechou negócio, optou por colocá-lo à venda, apurou o Valor PRO. A EBX informou ontem que “está em adiantada negociação com a bandeira hoteleira que entrará como sócia e deverá realizar adaptações no projeto do Glória Palace”. Sobre informações de que as obras estariam sendo paralisadas, afirma que “o estágio atual da obra está focado na estrutura e término de fundações”.

Uma pessoa próxima às negociações afirma que não há hoje conversas em estágio avançado para a venda, que deverá se realizar a preço de “custo mais um prêmio”. Segundo essa fonte, a nova orientação é para a venda do hotel, no entanto, em se tratando da alta volatilidade do Grupo X, “tudo pode mudar a qualquer momento”.

Grupos construtores de hotéis já chegaram a ser sondados. O maior problema, segundo um dos executivos consultados, é precificar o hotel. “É um empreendimento de alto padrão numa praia que ninguém pode frequentar”, diz. As reformas da Marina da Glória, que fica próxima ao empreendimento e seria transformada num Centro de Convenções pela própria EBX, poderia viabilizar o hotel. Mas o grupo vem encontrando dificuldades para implementar as obras. O primeiro projeto foi retirado pela companhia após manifestações contrárias do Ministério Público e o segundo foi rejeitado pelo Iphan-RJ (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional).

Fontes ouvidas pelo Valor afirmaram que as obras estão sendo paralisadas e cerca de 300 operários seriam dispensados. “É uma mão-de-obra especializada em alto padrão, em recuperar detalhes, não são fáceis de recontratar”, lamenta um construtor.

No início do ano, o grupo fez circular informações de que estava prestes a fechar negócio com uma grande administradora de hotéis, a Four Seasons. No entanto, a rede negou e um executivo do grupo hoteleiro disse ao Valor que as negociações nunca chegaram a avançar. Outra rede que chegou a olhar o negócio foi a Starwood.. Eike também tinha intenção de criar uma administradora de hotéis, para inicialmente dirigir o Glória e o prédio que também estava reformando a duas quadras do hotel.

Em 2010, a REX pegou um financiamento de R$ 146,5 milhões com o BNDES, na linha Pró-Copa Turismo, para a reforma, prevista para terminar em 2011. Mas por longos períodos as obras ficaram paradas. O novo prazo dado pelo grupo foi o primeiro semestre deste ano, ainda a tempo de abrir para a Copa das Confederações, que começa no sábado. Atualmente, no entanto, só 30% da construção foi feita e previsão era de que a obra terminasse em 2015, após a Copa do Mundo. Em meados de 2012, a empresa pleiteou e recebeu mais R$ 44,1 milhões do mesmo programa e agora tem R$ 190,6 milhões disponíveis. O BNDES não revela quanto já foi liberado.

A reforma prevista pelo grupo de Eike Batista iria reduzir o número de quartos a 231.

O Hotel Glória foi inaugurado em 1922, para o centenário da Independência do Brasil. Na época foi o mais luxuoso do país, o primeiro a ter banheiro e telefone nos quartos, cassino e um teatro. Com o tempo, o projeto do francês Jen Gire (o mesmo do Copacabana Palace e do Palácio Laranjeiras), acabou se perdendo em meio a reformas e à construção de um anexo.

Em 2005, o hotel foi tombado. No entanto, o grupo REX não preservou seis painéis pintados em 1960, pelo ceramista português João Martins. Todos foram destruídos durante a reforma, que só preservou as paredes da fachada. Na época o grupo explicou que os ladrilhos estava presos ao concreto e não puderam ser retirados.