Governo corrige assimetria ao zerar o IOF de derivativos devido à alta do dólar

Medida é para segurar câmbio, que ontem passou de R$ 2,15 pela primeira vez em 4 anos.

O governo cedeu às pressões do mercado financeiro e decidiu ontem à noite retirar o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) das operações com dólar no mercado de derivativos. A ideia é aumentar a oferta de dólares e segurar as cotações da moeda.

A decisão de zerar o IOF dos derivativos vinha sendo postergada – o governo defendia a importância do imposto no controle de capitais – mas a divulgação do fluxo cambial dos primeiros cinco dias úteis de junho, somado a mais um dia de nervosismo nos mercados, venceram os argumentos contra. Apesar do saldo na conta financeira ter ficado positivo em US$ 1,27 bilhão, a movimentação ficou bem acima da média diária dos últimos meses.

Segundo dados do Banco Central, pelo câmbio financeiro saíram US$ 14,216 bilhões e entraram US$ 15,486 bilhões. A média diária de saídas em maio havia sido de US$ 1,773 bilhão, e de US$ 1,787 em abril; nos primeiros cinco dias deste mês, a média foi de US$ 2,843 bilhões.

E, quanto mais o dólar sobe, mais atraente fica sair de investimentos – seja da bolsa, seja de renda fixa. Uma parte, cerca de US$ 4 bilhões, desses US$ 14,2 bilhões saíram da bolsa – e não necessariamente com prejuízo. “Dependendo do preço que estava o dólar quando o investidor estrangeiro entrou na bolsa, pode ser vantajoso sair agora, depois dessa alta da moeda”, diz um operador, que preferiu não se identificar.

Outra parte pode ter saído de fundos de investimento. Em junho, até ontem, saíram R$ 10,6 bilhões, segundo a Anbima – a maior parte, de fundos de renda fixa e DI. Em abril (último dado disponível), investidores estrangeiros tinham aplicados R$ 67,57 bilhões em fundos locais. Os estrangeiros também estavam desmontando operações na BM&F, bem como vendendo títulos públicos no mercado a vista, segundo operadores.

“O governo corrigiu a assimetria que cometeu ao retirar o IOF de 6% sobre investimentos estrangeiros em títulos de renda fixa, no último dia 4; era preciso corrigir com essa retirada do imposto também dos derivativos”, disse Sidnei Nehme, diretor da Corretora NGO.

O problema, segundo o especialista, não era apenas o fluxo presente, mas a expectativa em relação ao fluxo futuro. Nehme lembra que o saldo comercial (exportações menos importações), que salvou o fluxo em maio, tende a dimunir daqui para a frente. Uma conjunção de fatores externos,e questões estruturais internas, como o aumento do déficit público – vem tornando a tendência de saídas de dólares e de alta das cotações praticamente incontornáveis desde maio.

“O mercado estava muito cauteloso e as internveções do BC mal estavam conseguindo manter estáveis as taxas”, diz João Paulo Corrêa, gerente da mesa de câmbio da Correparti .Hoje, a medida será colocada à prova.

O IOF sobre derivativos de dólar foi criado em setembro de 2011, época em que se temia um “tsunami” de dólares para especular com os elevados juros brasileiros. O IOF era cobrado sobre compra, venda ou vencimento de contrato de derivativo financeiro que, individualmente, resultasse em aumento da exposição cambial vendida ou redução da exposição cambial comprada.

fonte brasil economico