“Ministério tem que passar por uma profunda reestruturação institucional”, afirma Campolina

Campolina alerta sobre inchaço da pasta
O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) tem ligado a ele 31 instituições, entre institutos de pesquisa, organizações sociais e empresas. Com isso, segundo o ministro da pasta, Clelio Campolina, há uma grande fragmentação de recursos, o que impede o setor de cumprir todos os objetivos. Na sua avaliação, o ministério precisa enxugar o número de entidades atreladas ao MCTI.

“Já falei com a presidente Dilma [sobre o assunto], e não tive tempo de propor uma solução final, mas o ministério tem que passar por uma profunda reestruturação institucional, porque a gente pulveriza o dinheiro em 31 instituições e não cumpre as metas estabelecidas”, declarou Campolina, no seminário “Qual Universidade servirá ao Brasil do futuro”, realizado nesta quarta-feira (17), em Brasília (DF).
Uma solução proposta pelo ministro seria a contratação de uma firma que garanta um suporte organizacional das instituições ligadas ao MCTI. “Além disso, convidar um conjunto de cientistas de prestígio para repensar a estruturação do ministério, porque se não, a gente não tem resultado. Quando se pulveriza os recursos, se duplica muitos serviços”, comentou.

Campolina destacou ainda que há um problema de atuação das entidades ligadas ao MCTI, ao ressaltar que elas oferecem cursos de pós-graduação, serviço que deveria ser proposto por instituições de ensino superior. “Eventualmente, algumas áreas de especialização podem ter alguma complementação, mas isso deveria ser tarefa das universidades brasileiras. Deveríamos, nessa reestruturação, transferir esses programas”, explicou.

Além do problema de atuação, o ministro também revelou que, em alguns casos, os programas de pós-graduação oferecidos pelas entidades têm nível abaixo do desejado. “Não dá para o ministério ter um curso nota 3 nos institutos. Quem trabalha em pós-graduação sabe que nota 3 é aquela bandeirada que damos em um curso inicial, para saber se ele vai ganhar maioridade. Mas se não ganhar, tem que ser fechado. Não tem porque ter um curso nota 3 em um instituto de pesquisa. Pensar nas universidades do futuro passa por essa reestruturação institucional”.

Contudo, em meio as mudanças que já ocorreram na gestão dos ministérios, e nas próximas que poderão ocorrer, Campolina admitiu que a reestruturação ainda é um assunto difícil de ser tratado, principalmente na atual conjuntura governamental. “Esse é um trabalho longo, demorado, e é politicamente difícil, porque tem instituições que são centenárias. Mas o desafio principal é político”, afirmou.

Editais

Durante o seminário para debater as universidades que melhor servirão ao Brasil nos próximos anos, o ministro Campolina destacou a liberação de três editais, que podem contribuir com as instituições de ensino superior no País.
O primeiro, lançado este ano, no valor preliminar de R$ 641 milhões, pretende apoiar os grupos de alta excelência no circuito nacional de ciência e tecnologia. “É uma continuação de um programa que já havia sendo desenvolvido, o INCT [Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia]”, destacou. A sua previsão é que o resultado seja divulgado em março de 2015.

As outras duas chamadas públicas, no valor total de R$ 500 milhões, são do Pró-infra, um programa destinado a melhorar a qualidade de vida nas cidades, com a reestruturação de sua infraestrutura urbana: nesse caso específico, dos institutos de pesquisa das universidades brasileiras. “Achamos que ainda é insuficiente, mas foi o limite máximo que tínhamos, dado as restrições orçamentárias”, ressaltou Campolina.

(Leandro Cipriano, da Agência Gestão CT&I)


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