UBER vale R$ 51 bilhões. A startup de caronas vale mais do que o Facebook

O Uber Technologies Inc. encerrou uma nova rodada de captação que avalia a empresa de serviço de táxi e caronas compartilhadas por aplicativo em quase US$ 51 bilhões, segundo pessoas a par do assunto, igualando-se ao recorde do Facebook Inc. para uma “startup” financiada por capital de risco privado. O Uber captou perto de US$ 1 bilhão na atual rodada, segundo uma fonte, elevando o total de financiamento da empresa para mais de US$ 5 bilhões. O Uber havia informado aos investidores que pretendia captar entre US$ 1,5 bilhão e US$ 2 bilhões na rodada, publicou o The Wall Street Journal em maio.

Entre os investidores estão a Microsoft Corp. e o braço de investimentos do conglomerado de mídia indiano Bennett Coleman & Co., disse outra fonte, num momento em que o Uber busca melhorar sua tecnologia e crescer fora dos Estados Unidos.

O valor de mercado do Uber agora atinge o recorde registrado pelo Facebook em 2011, quando a rede social tinha quase sete anos de existência.

A avaliação da empresa também supera a do Facebook em relação ao faturamento. Quando o valor de mercado da empresa de redes sociais chegou aos US$ 50 bilhões, ela havia gerado US$ 2 bilhões em receita nos 12 meses anteriores. O Uber teve uma receita de mais de US$ 400 milhões no ano passado, divulgou em maio o WSJ. O Uber informou a investidores que espera uma receita de US$ 2 bilhões este ano, segundo o WSJ.

A rápida ascensão do Uber para o clube dos US$ 50 bilhões reflete uma expansão global agressiva em mais de 300 cidades e sua crescente popularidade, transportando milhões de pessoas diariamente. A expansão também é um sinal do crescente valor das empresas de tecnologia, seja de capital aberto ou fechado. O Índice Nasdaq, forte em tecnologia, quase já dobrou o valor atingido em janeiro de 2011. O próprio Facebook, que abriu capital em 2012, mais que quintuplicou de valor, para US$ 267 bilhões.

O valor de mercado de empresas de capital fechado está disparando em parte devido aos fundos mútuos, fundos de hedge, fundos soberanos e outros investidores que tradicionalmente não costumavam colocar dinheiro em startups, mas agora estão migrando para empresas que parecem especialmente promissoras.

No primeiro semestre deste ano, 107 empresas globais fizeram grandes captações de mais de US$ 100 milhões, comparado com 56 um ano antes, segundo a KPMG e a CB Insights.

O Uber encabeça uma lista de 104 startups financiadas por capital de risco avaliadas em US$ 1 bilhão ou mais, ante 77 no início deste ano, segundo a Dow Jones VentureSource. Com a mais recente captação, ele ultrapassou a fabricante chinesa de smartphones Xiaomi Corp. como a startup de capital fechado com o maior valor de mercado do mundo. A Xiaomi foi avaliada em US$ 46 bilhões em dezembro passado. O diretor-presidente do Uber, Travis Kalanick, tem se mostrado um captador de recursos nato, criando laços inesperados entre rivais corporativas como Microsoft, Google Inc. e o fundador da Amazon.com Inc., Jeff Bezos.

Uma participação no Uber ajudou a transformar a empresa de capital de risco Benchmark em uma das investidoras mais promissoras da era do smartphone.

Cada vez mais, o Uber está conseguindo investimentos fora dos EUA, o que ajuda a dar impulso à expansão global da empresa. O Uber tem sofrido prejuízos em muitas cidades onde opera e precisou utilizar suas reservas de caixa para subsidiar descontos expressivos para passageiros e recompensar novos motoristas.

A empresa espera atrair um volume de motoristas e passageiros suficiente para que seu modelo de negócio se torne lucrativo.

Em sua rodada de captação mais recente, o Uber procurou atrair grandes conglomerados de mídia em regiões do mundo onde a empresa tenta conquistar apoio das bases para suas batalhas com operadores tradicionais de táxi e reguladores locais.

A Times Internet, que administra investimentos e supervisiona os sites da Bennett Coleman, contribuiu na nova rodada de captação depois de ter comprado uma fatia no Uber no início do ano.

Separadamente, o Uber informou que vai investir US$ 1 bilhão na Índia nos próximos nove meses. A empresa vem enfrentando obstáculos regulatórios no país desde dezembro, quando o app foi proibido depois de uma mulher ter dito que foi estuprada por um motorista da empresa. O motorista nega e está sendo julgado.

O Uber informou que suspendeu a conta do motorista imediatamente, em linha com sua política “de alegações de um incidente sério”. O Uber também está aumentando seus investimentos em novas tecnologias. No início do ano, a empresa contratou 40 pesquisadores e cientistas do laboratório de robótica da Universidade Carnegie Mellon – atraídos por bons salários e bônus de centenas de milhares de dólares – que vão atuar em uma nova unidade de pesquisa em Pittsburgh.

A empresa ainda não discutiu publicamente planos para uma abertura de capital, mas o Uber já vendeu dívidas conversíveis a investidores cujo valor está em parte vinculado a um preço de uma futura abertura de capital. O Uber também negociou uma linha de crédito de US$ 2 bilhões com um grupo de grandes bancos, uma medida frequentemente tomada por empresas que planejam negociar ações em bolsa, divulgou o WSJ.

Uma porta-voz do Uber disse que a empresa registrou um documento em Delaware em maio para autorizar a mais recente captação. “Não comentamos especulações adicionais”, disse a porta-voz na sexta-feira. A Microsoft não comentou e um executivo da Bennett Coleman não respondeu imediatamente aos pedidos de comentário.

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