Lixo eletrônico rende 350 milhões

Empresa do grupo Ambipar investe R$ 66 milhões em seis fábricas para reciclar computadores, celulares e geladeiras.

Não há como negar: a Política Nacional de Resíduos Sólidos, sancionada pelo presidente Lula há quase um ano, abriu caminho para um mercado do lixo cuja tendência é crescer e se ramificar.

A vantagem é daqueles que saem na frente e percebem os novos nichos que deverão surgir à medida que se torna mais urgente a necessidade de dar uma destinação adequada aos milhões de toneladas de resíduos gerados todos os dias no país.

Foi o que fez o Grupo Ambipar, que prevê faturar este ano cerca de R$ 350 milhões apenas com a gestão ambiental de resíduos – a maior parte vindo de empresas de grande porte, como Johnson&Johnson, Carrefour e Santander.

O passo mais recente de expansão do grupo foi anunciado por Lucio Di Domenico, presidente e criador da Descarte Certo. Uma das oito empresas sob o guarda-chuva da Ambipar, e adquirida há apenas sete meses, a Descarte Certo vinha trabalhando como intermediária no recolhimento e destinação de produtos eletroeletrônicos, como celulares, notebooks e refrigeradores, e no encaminhamento a empresas e serviços de manufatura reversa, que retiravam o material aproveitável para reciclagem e revenda para a indústria.

Agora, a empresa deve receber um aporte de R$ 66 milhões para que ela mesma execute todo o processo.

“Estamos partindo para um novo patamar”, afirma di Domenico, ex-executivo do antigo Banco Real, que aproveitou os conhecimentos na área de sustentabilidade adquiridos nas atividades do banco, para vislumbrar a oportunidade despertada com as necessidades atuais de gestão ambiental do lixo.

Di Domenico e seu sócio, Ernesto Watanabe, se associaram ao Grupo Ambipar e ganharam recursos para crescer e sinergia para trabalhar com as outras unidades de negócio irmãs.

Unidades próprias

Com isso, a Descarte Certo pretende multiplicar o faturamento que este ano projeta ser de R$ 2,5 milhões.

Para tanto, já deverá começar a funcionar no início do ano que vem a primeira unidade de manufatura reversa em Americana, interior de São Paulo, com capacidade de fazer a “desmanufatura”, ou “desfabricação”, como di Domenico gosta de brincar, de 3,6 mil toneladas de eletroeletrônicos por ano. “A meta do governo é retirar do mercado até 10% do material em 2014”, diz o empresário.

A fábrica de Americana, com 3 mil metros quadrados de área construída, que pretende abrigar, numa primeira fase, 70 empregados, não será a única.

Em seguida, a Descarte Certo pretende inaugurar outra unidade no Rio Grande do Sul, em local ainda não definido, mas na Grande Porto Alegre, para receber os eletroeletrônicos usados da região.

Outras unidades se seguirão em todo o Brasil. Até 2028, prazo do investimento, a empresa pretende ter seis “desmanufaturas” em todo o país, sendo quatro equipadas com manufatura reversa de refrigeradores e ar-condicionado.

Pelo cronograma, no ano que vem, será definido o local da fábrica no Nordeste, complementando assim a primeira fase de investimentos.

De 2013 a 2015, numa segunda fase, será feita a automatização da fábrica paulista, implantada uma linha de manufatura reversa de refrigeradores no Sul, e a automatização da linha de eletrônicos gaúcha; depois será implantada uma nova unidade de refrigeradores no Sudeste e outra de eletrônicos no Centro-Oeste.

Na terceira e última fase, será implantada uma outra linha de eletrônicos no Sudeste e de refrigeradores no Nordeste; além de inaugurada uma fábrica na região norte e a automatização da segunda linha de eletrônicos no Sudeste.

“Com bases em todo o Brasil, a meta de destinar pelo menos 10% dos produtos para reciclagem será alcançada”, prevê di Domenico.

Ele calcula que mais de cem produtos poderão ser direcionados para a manufatura reversa em todo o país. Mas com um horizonte tão ambicioso, a Descarte Certo tem planos para crescer também na variedade de manufatura reversa.

“Nosso objetivo é partir dos eletroeletrônicos e depois recolher também móveis, borrachas (pneus e calçados), e material de construção”, complementa di Domenico.


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