P&G deixará de produzir sabão em pó no Brasil, manterá o sabão líquido

A multinacional americana Procter & Gamble (P&G) vai encerrar a produção de detergente para roupas em pó no Brasil em dezembro. A partir de janeiro, a empresa venderá apenas a versão líquida, segundo o presidente-executivo da companhia no país, Alberto Carvalho. Com o fim da produção do Ariel em pó, a fábrica na rodovia Anchieta, no ABC paulista, será fechada.

A unidade de Louveira, no interior de São Paulo, produz o Ariel líquido. Essa mesma fábrica, que recebeu R$ 360 milhões para sua ampliação no ano passado, assumirá a fabricação do amaciante Downy, que hoje ocorre na Anchieta. “A casa está pronta, apenas esperando a mudança”, diz Carvalho.

A P&G investiu R$ 2 bilhões na atualização do parque fabril brasileiro nos últimos três anos. Além da expansão em Louveira, destinou R$ 280 milhões para a construção de uma fábrica de creme dental em Seropédica, na Baixada Fluminense, abriu novos centros de distribuição e escritórios.

A P&G emprega 175 pessoas na fábrica da região metropolitana de São Paulo. Parte dos trabalhadores será realocada para Louveira, mas o número não está fechado, segundo a empresa. São 4,5 mil funcionários no país. O destino dos equipamentos e do terreno em São Bernardo está em análise.

“O detergente líquido é um produto mais fácil de agregar tecnologia. Na versão em pó temos uma limitação de quanto podemos trazer de benefício ao consumidor”, afirma Carvalho. A empresa encerrou recentemente a venda de sabão em pó na Argentina e, na Europa e nos Estados Unidos, praticamente não o comercializa mais.

No Brasil o sabão em pó representa 59% do mercado de detergentes para roupas, mas perdeu 0,5% em volume e 3,3% em valor em 2015, de acordo com a Euromonitor International. O tipo líquido, com participação de 19%, cresceu 7,9% em volume e 3,6% em preço no ano passado, apoiado em campanhas publicitárias e em novas tecnologias, como as versões concentradas, que usam menos água e são mais fáceis de transportar e armazenar.

No total, o mercado brasileiro de produtos para roupa recuou 2,4% em 2015, sobre 2014, para R$ 9,97 bilhões. O consumo médio por domicílio foi de 12,4 quilos de sabão em pó e deve se manter estável até 2020. Já os detergentes líquidos crescerão 20% em volume em cinco anos, de 2,9 litros para 3,5 litros, estima a Euromonitor.

A P&G é a segunda colocada em sabão líquido no Brasil, com fatia de 29,4%, enquanto a Unilever, dona da marca Omo, detém quase metade deste mercado. Em países europeus, o consumo de sabão líquido para roupa está próximo de 50%; nos Estados Unidos, aproxima-se de 80%, mas no Brasil ainda beira os 20%.

O Brasil é o terceiro maior mercado do mundo de produtos de lavar roupas, depois de China e Estados Unidos.

Segundo a equipe de análise da consultoria Sonne, a principal tendência no segmento continuará a ser a migração de detergentes em pó para os líquidos, embora em um ritmo mais lento em comparação com os anos passados. A categoria pode demorar algum tempo para se consolidar devido ao preço médio alto em relação a outros formatos, avalia a Sonne.

Dona das marcas Omo, Brilhante e Comfort, a Unilever é líder no mercado de produtos para roupas com fatia de 43%. A P&G está em terceiro, com 12%, mas com crescimento mais rápido. As vendas de Downy sobem mais de 20% ao ano. Procurada, a Unilever não quis comentar.

A P&G cresceu dois dígitos no país a cada trimestre de 2015, segundo Carvalho. A estimativa para julho, agosto e setembro é de expansão num ritmo semelhante. Categorias como cabelo (Pantene e Aussie), fraldas (Pampers) e amaciantes (Downy) são destaque em vendas.

Desde 2014, a matriz decidiu simplificar seu mix de produtos e vender alguns negócios, como pilhas (Duracell) e coloração para cabelo (Koleston e Soft Color). No Brasil, os itens do portfólio diminuíram pela metade depois de um trabalho iniciado dois anos atrás, considerado complementar à estratégia global.

Na categoria de absorventes, a marca Naturella saiu de cena, por ser muito pequena, e as vendas se concentraram em Always. A linha para cabelo Pantene, que tinha 14 coleções, agora tem de 6 a 8. “Pode ser contra-intuitivo, mas quanto mais simples, melhor para o consumidor”, diz Carvalho. Segundo ele, com menos marcas, o trabalho é mais focado e tem mais retorno.

Engenheiro formado pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), o presidente levou a análise de dados ao centro das decisões. Em marketing, as áreas de mídia, ponto de venda e experimentação, importantes para a construção da marca, mantiveram investimentos iguais ou até maiores. No entanto, eventos que tinham baixo retorno perderam espaço sob sua gestão.

A multinacional passou de 12ª para 5ª maior anunciante do país no primeiro semestre deste ano, na comparação com os seis primeiros meses de 2015, segundo o Kantar Ibope. Patrocinadora da Olimpíada, a empresa elevou em 97% a compra de espaço publicitário no período, com um total de R$ 807 milhões em mídia.

Diante da recessão econômica a empresa reduziu as promoções e aumentou o foco em marcas dos segmento intermediário e premium. “Na crise o consumidor não pode arriscar e prefere as fortes, reconhecidos”, diz Carvalho.

Desde janeiro de 2013, Carvalho tem nas mãos o negócio mais importante da P&G na América Latina. O pernambucano é o primeiro brasileiro a comandar a operação local. Antes, foi vice-presidente da Gillette para mercados em desenvolvimento, gerente-geral das operações no Chile, Argentina, Uruguai e Paraguai (Cone Sul), presidiu a P&G no Chile e teve passagem por Estados Unidos e Caracas. Em novembro ele completa 25 anos na P&G.

No ano fiscal findo em 30 de junho, o lucro líquido global da P&G somou US$ 10,5 bilhões, 49% acima dos 12 meses anteriores. A receita líquida caiu 8%, para US$ 65,3 bilhões, pressionada pelo câmbio, pela operação na Venezuela e a venda de pequenas marcas.

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Comentários

5 responses to “P&G deixará de produzir sabão em pó no Brasil, manterá o sabão líquido”

  1. Avatar de Lucelia
    Lucelia

    Uma pena tirarem o ariel em po de linha. Ficou so o Omo e o Ariel é mto melhor. O líquido é mto caro.

  2. Que pena não existir mais a versão em pó, andei feito louca procurando e não achei, até resolver perguntar no Google, estou chocada, pois sempre usei e amo o Ariel em pó, a versão liquida comecei a usar agora e não sei se será tão bom quanto a versão em pó.

  3. Avatar de Josefa cherlys Ferreira da Silva
    Josefa cherlys Ferreira da Silva

    É uma pena, eu por exemplo só usava o detergente em pó Ariel, agora tô tentando acostumar com outras marcas que não chega aos pés de Ariel, sempre usei ele, tá difícil deixar de procurar quando entro nós grandes supermercados.

  4. Avatar de Yasmim Duarte
    Yasmim Duarte

    Eh uma pena, era o melhor sabão em pó, eu usava MT na versão em pó, depois q não via mais nos mercados eu fiquei maluca, eu to usando outras marcas mas não eh a mesma coisa, o Ariel em pó era o meu queridinho, sei lá, acho q poderíamos reivindicar pela volta da versão em po dele!!!

  5. Enquanto o produto foi Henkel era o melhor sabão em pó do Brasil, pois seguia a formula alemã, depois algum genio resolveu mexer e avacalhou. Não consigo entender porque as empresas que trazem produtos de fora e depois fabricam aqui, precisam estragar os produtos.Hoje compro e importo para uso sabão Persil da Alemanha.SE o produto nacional fosse 40% sabão Persil teriamos um produto mediano pois e nacional com o perdão da palavra é uma droga.Fechando ou não é um produto ruim a menos sendo fabricado

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